O futuro dos refrigerantes na aerotermia: o que vai mudar (e porque é importante si)

A aerotermia está a crescer rapidamente em Portugal e na Europa, sendo cada vez mais utilizada para aquecimento, arrefecimento e produção de água quente sanitária. Mas há um tema que está a mudar tudo nos bastidores desta tecnologia: os gases refrigerantes.

Pode parecer um detalhe técnico, mas não é. O tipo de refrigerante utilizado nos equipamentos vai ter impacto direto em:

  • Eficiência energética 
  • Sustentabilidade 
  • Segurança 
  • E até no custo das soluções nos próximos anos 

O que está a mudar na Europa?

A União Europeia está a reforçar o regulamento dos gases fluorados (F-Gas), com o objetivo de reduzir o impacto ambiental dos sistemas de climatização.

Segundo esta regulamentação:

  • A partir de 2027, será proibido o uso de refrigerantes com GWP (Potencial de Aquecimento Global) superior a 150 em equipamentos monobloco até 50 kW 
  • Novas restrições vão entrar em vigor também a partir de 2030, abrangendo equipamentos de maior potência 

Ou seja, a mudança não é opcional, já está em curso.

O que é o GWP e porque é importante?

O GWP (Global Warming Potential) mede o impacto de um gás no aquecimento global.

Quanto mais baixo o GWP:

  • Menor impacto ambiental 
  • Maior alinhamento com futuras regulamentações 
  • Maior sustentabilidade do equipamento

O problema com os refrigerantes atuais

Um dos gases mais utilizados nos últimos anos foi o R32, devido ao seu bom equilíbrio entre eficiência, custo e impacto ambiental. No entanto, tem um GWP de 675, o que o coloca fora dos limites definidos pela nova regulamentação europeia 

Resultado: vai deixar de ser uma solução viável a médio prazo.

Isto significa que muitos equipamentos atualmente no mercado terão de ser substituídos ou adaptados nos próximos anos.

Que alternativas estão a surgir?

O setor já está a testar várias soluções. Nenhuma é perfeita, e cada uma tem vantagens e desafios.

1. R454C: a transição mais simples

  • GWP: 148 (cumpre a nova norma) 
  • Classificação: A2L (baixa inflamabilidade) 

Vantagem:

  • Pode ser adotado com poucas alterações técnicas 

Desvantagem:

  • Eficiência ligeiramente inferior 
  • Nem sempre viável em todos os contextos 

2. CO₂ (R744): solução natural, mas exigente

  • GWP: praticamente zero 
  • Refrigerante natural 

Vantagem:

  • Impacto ambiental quase nulo 

Desvantagem:

  • Funciona a pressões muito elevadas 
  • Equipamentos mais caros 
  • Exige maior complexidade técnica 

3. R290 (propano): o grande protagonista

  • GWP: quase zero 
  • Excelente desempenho térmico 
  • Permite atingir temperaturas mais elevadas 

Vantagem:

  • Muito eficiente 
  • Ideal para produção de água quente sanitária 

Desvantagem:

  • Classificação A3, altamente inflamável 
  • Requer maior rigor na instalação e segurança 

Ainda assim, tudo indica que o R290 será uma das soluções dominantes no futuro da aerotermia 

O que isto significa para quem está a escolher equipamento?

Este tema pode parecer distante, mas tem impacto direto nas decisões de hoje.

Se está a pensar instalar ou substituir um sistema de aquecimento, deve considerar:

1. Escolher tecnologias preparadas para o futuro

Equipamentos com refrigerantes de baixo GWP, como o R290, estão mais alinhados com a regulamentação futura.

2. Evitar soluções que podem ficar desatualizadas

Optar por tecnologias que podem ser limitadas ou proibidas a curto prazo pode significar custos adicionais no futuro.

3. Apostar na eficiência a longo prazo

Mais do que o custo inicial, importa perceber:

  • consumo 
  • durabilidade 
  • adaptação à legislação 

Exemplo prático: o caso da Thermor

A Thermor já está alinhada com esta evolução tecnológica, com soluções que utilizam refrigerantes mais sustentáveis.

Um exemplo é o Aéromax VM R290, disponível em Portugal, que:

  • Utiliza refrigerante natural R290 
  • Tem um impacto ambiental reduzido 
  • Garante elevada eficiência energética 
  • Funciona de forma silenciosa e adaptada a espaços pequenos 

Isto mostra claramente a direção do mercado.

Conclusão: não é só tecnologia, é uma mudança de paradigma

A evolução dos refrigerantes não é apenas uma questão técnica. É uma mudança estrutural no setor da climatização.

Estamos a assistir a uma transição que envolve:

  • Regulamentação 
  • Sustentabilidade 
  • Segurança 
  • Inovação tecnológica 

E que vai impactar diretamente:

  • fabricantes 
  • instaladores 
  • e consumidores 

Escolher hoje equipamentos preparados para o futuro é uma decisão inteligente

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